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Cecília

 

POEMA DA ANSIEDADE

Quando eu não pensava em Ti,
Os meus pés corriam ligeiros pela relva,
E os meus olhos erravam,
Distraídos e felizes,
Pela paisagem toda…
Quando eu não pensava em Ti,
As minhas noites eram
Como o sono do céu, cheio de luar…
Quando eu não pensava em Ti,
A minha alma era simples e quieta…
A minha alma era uma ave mansa,
De olhos fechados,
Na alta imobilidade de um ramo,
Quando eu, não pensava em Ti…
E agora,
Ó Eleito,
O meu passo demora,
Esperando pelos meus olhos,
Que procuram a tua sombra…
As minhas noites são longas, morosas,
Tão tristes,
Porque o meu pensamento
Põe-se a buscar-te,
E eu, sem ele, fico mais só…
Perderam-se os meus olhos
Entre as estrelas,
Entre as estrelas se perderam
As minhas mãos,
Nesta ansiedade de te alcançarem..
Eleito, é Eleito,
Por que foi que eu fiquei assim?
Por quê?
Desde o chão do meu corpo
Até o céu da minha alma,
Sou uma fumaça de perfume
Subindo em teu louvor? 

Quando eu não pensava em Ti,
Os meus olhos erravam,
Distraídos e felizes,
Pela paisagem toda.” (Cecília Meireles)

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