Cecília

 

POEMA DA ANSIEDADE

Quando eu não pensava em Ti,
Os meus pés corriam ligeiros pela relva,
E os meus olhos erravam,
Distraídos e felizes,
Pela paisagem toda…
Quando eu não pensava em Ti,
As minhas noites eram
Como o sono do céu, cheio de luar…
Quando eu não pensava em Ti,
A minha alma era simples e quieta…
A minha alma era uma ave mansa,
De olhos fechados,
Na alta imobilidade de um ramo,
Quando eu, não pensava em Ti…
E agora,
Ó Eleito,
O meu passo demora,
Esperando pelos meus olhos,
Que procuram a tua sombra…
As minhas noites são longas, morosas,
Tão tristes,
Porque o meu pensamento
Põe-se a buscar-te,
E eu, sem ele, fico mais só…
Perderam-se os meus olhos
Entre as estrelas,
Entre as estrelas se perderam
As minhas mãos,
Nesta ansiedade de te alcançarem..
Eleito, é Eleito,
Por que foi que eu fiquei assim?
Por quê?
Desde o chão do meu corpo
Até o céu da minha alma,
Sou uma fumaça de perfume
Subindo em teu louvor? 

Quando eu não pensava em Ti,
Os meus olhos erravam,
Distraídos e felizes,
Pela paisagem toda.” (Cecília Meireles)

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Assim Assado

Eu não fico tentando me encaixar em alguma forma, mas há com certeza formas que se encaixam em mim, ainda mais para quem está do lado de fora. As pessoas tentam classificar, tentam não!, elas classificam mesmo, para tentar compreender,( afinal o desconhecio dá medo, ao mesmo tempo em que em sua maioria excita) mas nunca é o todo que se está vendo e sim só uma parte.

O estrangeiro é muito mais complexo do que aparenta.

“É assim que os homens se comportam perante a verdade própria. Pegam apenas numa parte e pensam que é o todo…”

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L1T1

Maquiamos a verdade apenas para que consigamos o que desejamos, não há benefício real nisso.

Apenas queremos vender o peixe, mas o peixe está podre.

ps:  Saudades da vidinha.

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Protegido: Sonhos

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Na América – Susan Sontag

Estou lendo esse livro e resolvi extrair alguns trecho dele que eu realmente gostei.

Eu conheci a autora esse ano, já tinha ouvido falar dela anteriormente, mas só tive vontade de lê-la quando li uma certa frase sua “Sei o que quero para a minha vida…Quero fazer tudo…”, senão me engano ela escreveu isso aos dezesseis anos, depois de sua primeira experiência homossexual.

Essa frase foi uma injeção de adrenalina no meu peito e me fez querer engolir o mundo de uma vez, me fez querer viver a minha vida!

E agora Na América chegou em minhas mãos, e com raciocínios pessoais aqui e ali, Susan consegue me mostrar muitas coisas dela que eu vejo em mim.

(…) um ato de maus modos que em geral não posso pôr em prática porque, provavelmente, suscita um olhar fixo, em resposta. (…) como tantas crianças solitárias, muitas vezes desejei ser invisível, para poder observar melhor – quero dizer, para não ser observada. pág. 27, sobre ficar observando as pessoas.

(…) quase tudo de bom parece estar no passado, talvez isso seja uma ilusão, mas me sinto nostálgica em relação a todas as épocas anteriores ao meu nascimento; e nós nos sentimos mais livres das inibições modernas, talvez porque não tenhamos nenhuma resposabilidade pelo passado. pág. 35

Se houver gritos, ou melhor, urros, e você vir algo como uma cama, pode torcer para que não seja o aposento onde alguém está sendo torturado, mas sim onde alguém está dando à luz, embora os sons também sejam insuportáveis. Você pode torcer para estar entre pessoas de coração generoso, paixão é uma coisa maravilhosa, e assim é também o entendimento, vir a entender alguma coisa, e isso é uma paixão, e isso é também uma viagem. pág.40

Ás vezes, a pessoa precisa levar um verdadeiro tapa na cara para fazer aquilo que tem vontade de fazer.

Quando a vida nos esbofeteia, aí então dizemos: isto é a vida.

Sentimo-nos fortes. Queremo-nos sentir-nos fortes. O importante é ir em frente.

(…)

Ofender-se significa ser fraco – assim como querer saber se se é feliz ou não. pág 45

Eu gosto de idéias. pág. 64

(…) ” que posso triunfar por simples obstinação, empenhando-me mais a fundo do que qualquer outra pessoa.” pág. 65

” É bom ser feliz, mas é vulgar querer ser feliz. E se você é feliz, é vulgar saber que é feliz. Isso nos deixa complacentes. O importante é o respeito próprio, que só será seu se você permanecer fiel aos seus ideais.” pág. 66

” Eu tento realmente dominar meus sentimentos, acredite!”

Comece muito por cima, e você não terá mais aonde ir. pág. 68

(…) não é que Maryna fosse de fato religiosa, exceto quando atormentada (…). pág 73

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por Jenny Saville

por Jenny Saville

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Overdose Power (07-05-2009) [Old Stone]

Eu estava deitada, esparramada no sofá, escutando Cat Power, há um tempo eu não escutava “The Greatest”, álbum que no começo do último ano eu escutava incansavelmente porque eu só queria que ele me desse um pouco de paz, que me tirasse do estresse, como sempre fazia.

Tô com dor de cabeça.

E estou escrevendo porque vi Adriano falando para escrever tudo, sendo importante ou não, o que se tem que fazer mesmo é escrever.

Só queria poder desabafar um pouco.

Ganhar um pouco de sentido.

Não fazer ninguém chorar.

Ou se aborrecer.

Queria encontrar uma essência.

Talvez finalmente poder fazer música.

Oh, eu estou buscando o sentido para isso tudo, só não sei porque insisto.

Enquanto isso, vou continuando a nadar com os tubarões, fico aplaudindo aqueles que fazem o que eu não posso, mas que queria mais que tudo fazer, que é o que me dar prazer, força, desejo, satisfação…

“Where is my love?”

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